Crónicas e histórias

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7.º Aniversário Bicigótico - 07nov09

Bicigodos na Geira Romana, 6jun09

Candeias às avessas, 7fev09

Regresso ao Corno de Bico, 23nov08

Passeio de São Martinho, 16nov08

Na Serra da Cabreira com Angarnas e Cagaréus, 25out08

6.º Aniversário + despedida de solteiro do Jorge Costa - 11OUT08

Na Graça da Senhora, Mondim de Basto, 23ago08

Quem terá aberto a cancela aos Becerros? - 10out08

A Noite Mais Louca do Ano! - 06jul08

A Ecovia do rio Lima - 08jun08

Rota da Chanfana - 27Abr08

Passeio "Movimento Alternativo de Bicicletas" - 25Abr08

Venda-Nova, Pisões e Paradela - 10fev08

Senhora das Candeias - Landim, V.N. Famalicão - 02fev08

Passeio do 5.º Aniversário dos Bicigodos - 03nov07

Passeio na Serra da Freita - 27out07

À volta do monte Farinha - 11ago07

O Caminho Francês - Junho de 2007

Aventura em Quilho - Mortágua, 12Mai07

Pelos Trilhos da Maria da Fonte III - Póvoa de Lanhoso, 17MAR07

Serra da Freita, 10fev07

A Princesa do Rabagão, 13jan07

Passeio a Sernada do Vouga, 27dez06

De Chaves a Finisterra, 5-8out06

Jerónimo agradece à FPCUB

A conquista do Buçaco

Fim-de-semana no Gerês, 8-9jul06

O "nosso" Luso Alpes

DOWNTOWN LISBOA 2006

Batata a murro.

Florêncio Flor Furou

Bicigodos - A marca do tempo.

Passeio em Valença

Bicigodos na Geira Romana, 6jun09:

- As fotos do Hélder;

- O rasto do GPS.

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Passeio do 5.º Aniversário dos Bicigodos - 03nov07

 

E eis que surge mais um aniversário. O quinto!

O Jorge Costa foi o guia de serviço e levou-nos, mais uma vez, ao restaurante Escondidinho, onde fizemos a nossa festa.

Desta vez, tivemos o privilégio de ter entre nós uma linda menina chamada Susana.

Parabéns Bicigodos!

Ligações:

- O vídeo realizado pelo Jorge Monteiro.

- O relato no BTT do Minho ao Vouga.

- O rasto do GPS.

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O Caminho Francês - Junho de 2007

 

Para França partiu o Mário

voando num grande avião.

Já tinha partido o Jerónimo

à boleia de um camião.

 

O Jerónimo partiu primeiro

O Mário três dias depois.

E já depois do meio

encontraram-se no Caminho os dois.

 

Partiram de França

com destino a Santiago

Santo Tirso era o segundo destino

E fizeram tudo de um trago

 

Chegados a Santiago

Pedalaram de regresso

O bom Bicigodo à casa volta

trazendo sempre mais um sucesso!

 

Foram muitas as aventuras

e boas as memórias

para trás ficaram novos amigos

e para contar, muitas histórias.

 

Texto: Ricardo

As fotos do Mário

Vídeo "Uma bicicleta completa"

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Pelos Trilhos da Maria da Fonte III

Os Bicigodos estiveram presentes neste magnífico passeio que reuniu perto de mil ciclistas. Com uma excelente organização e um cenário a condizer, este evento é, cada vez mais, um marco incontornável para os entusiastas do BTT.

Fotos aqui

Página dos organizadores

O relato do Jorge

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Jerónimo agradece à FPCUB

Planeta das Bicicletas, 10 de Bicigósto de 2006

1.
À Federação Portuguesa de Cicloturismo
Venho, mais uma vez, agradecer
Ao Jerónimo brindaram-lhe uma bicicleta de turismo
Mesmo, mesmo linda de morrer

2.
Sinceramente desconhecia a Federação
E todas as suas vantagens
Agora penso tornar-me sócio, porque não?
E com eles fazer longas viagens

3.
Sendo eu um grande amigo da bicicleta
Todos os dias numa vou trabalhar
Devagar, devagarinho a tempo de cortar a meta
Chegando muito cedo o patrão pode refilar

4.
Como qualquer outro vicio
O corpo, neste caso, precisa de pedalar
Vejamos um político num comício
Ressacado de um palanque e pronto a falar, falar

5.
Serão passeios idênticos aos de Vila Nova de Gaia
Com que os políticos iremos convencer
Este é o melhor transporte para o homem, para a menina de saia
Este é o veículo não poluente que te deixa viver

6.
Vives, respiras e brincas
A bicicleta é mesmo assim
Adapta-te a ela, não sejas troca-tintas
Sim tu, ò ferreiro, ò doutor, ò padre Joaquim

7.
Continuaremos a pedalar de uma forma discreta
Sozinhos, acompanhados, aqui e ali
Um dia o único veículo prioritário será a bicicleta
Escrevo isto não por mim, mas pesando em ti

8.
Todos lutámos por uma vida melhor
Todos queremos uma saúde estável
Será muito difícil abrir os olhos ao senhor?
Vamos, então, erguer à bicicleta um monumento memorável

9.
Depois, serão realizadas peregrinações
Para ver o monumento e a sua forma concreta
Virão cicloturistas de todas as regiões
Esse será o dia mundial da bicicleta

10.
Obrigado à Federação por existir
É bom saber que há uma bicicleta ao fundo da rua
Estarei atento aos vossos passeios, vamo-nos divertir
Seja aqui na Terra ou mesmo na Lua…


Texto: Jerónimo
Foto gentilmente cedida por Sílvio Ferraz

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A conquista do Buçaco - 09set06

 

A época 2006/2007

está oficialmente aberta

Abra-se o champanhe, coma-se o croquete

Este será um bom ano, pela certa

 

Tudo começou na Mealhada

Numa singela maratona de 90 km

Mais ou menos, meia dúzia de bicigodos à molhada

Ajustaram as mochilas, acertaram os cronómetros.

 

Sendo este o primeiro, partimos com cautela

Em direcção à Serra do Buçaco

Ainda existia o medo de cair abaixo da cela

ou de nos enfiarmos, de cabeça, num buraco.

 

Pois se de repente, mais ou menos, meia dúzia de bicigodos

fossem deglutidos por uma enorme cratera

o que seria do btt, do mundo, de todos...

O universo do btt deixaria de ser quem era

 

E tudo por causa dos GPSsss

Não havia meio de acertar

Meia volta e lá estávamos aos sss

Ai, ai!!! Que nos vamos esbarrar

 

Não nos esbarrámos, mas três desapareceram

Lá para os lados... Depois do meio

Desses três mais nada souberam

os que restaram continuaram, mas já com muito receio

 

Que lhes terá acontecido?

Será que com medo da Cruz Alta fugiram?

Será que o Lobo Mau os teria comido?

Ninguém soube, simplesmente sumiram...

 

Galgámos, então, serra acima

Olhando sempre para trás

Não fosse o Lobo Mau fazer de nós uma obra prima

Aparecer de repente e zás...

 

Junto ao museu do Moinho de Vento, já do lado de Penacova

Reabastecemos energias, com a melhor caipirinha do mundo

Estávamos prontos para apanhar uma boa sova

Venha lá o Lobo, enfiámo-lo no buraco mais fundo!

 

Meus amigos, a Serra do Buçaco está conquistada

É verdade que pelo caminho perdemos elementos

Mas o que é que isso interessa? Nada...

O btt é mesmo assim, radical. Às famílias, os nossos sentimentos

 

Há quem faça desporto por uma vida saudável

Há quem salte para o ginásio pela beleza corporal

Para nós nada disso é palpável

Praticamos btt por dependência, por vezes torna-se mortal

 

Morremos pelo prazer da infindável beleza da Natureza

Vivemos com os pulmões encharcados de ar puro

Morremos abraçados à nossa destreza

Viveremos vendo saudavelmente o nosso futuro

Jerónimo, 13set06

Participaram nesta aventura: Jerónimo, Jorge, Dino, Ricardo, Ricardo e Mário

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Fim-de-semana no Gerês, 8-9jul06

Porventura a aventura torna-se dura quando dura e dura e dura debaixo de um sol empolgante e entusiasmante que, ao ritmo de uma pedalada morna, por vezes fria, contrasta com o amarelo que sorrateiramente nos afunda, através de uma calçada dolorosa e trepidante provocando-nos saltos, tropeções, contactos com o solo imprevisíveis, ao longo de um desnível demasiado fundo que nos leva a uma subida intransponível, estreita e sinuosa, selvaticamente abandonada, onde a raiva do mato esquecido ao longo do tempo perfura silenciosamente as únicas câmaras de ar que nos sobram, multiplicando os furos, sem perdão nem piedade. Durariam até ao fim não fossem as bombadas constantes e rápidas que mantiveram as bicicletas de pé com os seus ciclistas cambaleando ora para cima, ora para baixo alimentados com restos de "bocadilhos" do dia anterior e "assandes" de pão congelado recheadas com chouriço de colorau esquecido algures numa prateleira de um café, também ele esquecido no interior de uma aldeia que a ninguém lembra. Embora as cervejas estivessem frescas como a água daquela represa que minimizou o custo de um dia sem preço, onde os Bicigodos mais uma vez demonstraram que as amarguras e contrariedades de lugares inacessíveis são ultrapassados com união e amizade que superam qualquer obstáculo, qualquer montanha, qualquer fim do mundo... Nós estivemos lá!

Jerónimo, 13jul06

Estiveram presentes nesta aventura os Bicigodos Zé Pesseguinho, Sérgio, Mário, Ricardo, Duarte e Jerónimo.

Nota: O passeio teve início no Campo do Gerês e teve como base um rasto de gps existente no Depósito de registos GPS para BTT, chamado Gerês-2. Na descrição do percurso é feita uma referência a uns caminhos inexplorados, que permitiriam uma ligação fora de estrada entre Paradela e Entre Ambos-os Rios. Além do relato, fica aqui também o rasto de gps de quem já tentou efectuar essa ligação. (Ricardo)

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O "nosso" Luso Alpes

 

Amarante foi o local de partida

Luso-Alpes  o nome do evento

Vinte e cinco quilómetros tinha a primeira subida

e o Ricardo esqueceu-se do sustento

 

Mesmo sem mantimentos suficientes

À cautela lá partimos devagar

Tínhamos medo de enregelar os dentes

ou de alguma estrela, a 1400 m de altitude, nos cegar

 

Fomos tão devagarinho, tão devagarinho

que decidimos levar a bicicleta à mão

claro que não foi pela subida e o seu desnivelzinho

mas queríamos chegar com forças para ver o Portugal - Irão

 

Tal era o compasso que acabamos por adormecer

No sonho, Bicigodos com asas deambulavam entre as nuvens e o Marão

sonhavam com o segundo nível, o terceiro seria um prazer.

Sonhavam com uma alheira na cabana do Alvão

 

De mãos dadas cantarolavam junto das fontes

Tinham todo o tempo do mundo

Observavam os pássaros para lá dos montes

Sentiam a Natureza no seu estado mais profundo

 

Mas todos os sonhos acarretam um pesadelo

E do primeiro nível não passaríamos

Café para observar o jogo, nem vê-lo!

Tivemos aquilo que merecíamos?

 

Bem, o primeiro nível foi cumprido

Com sessenta quilómetros de trilhos repletos de adversidades

Este grupo de Bicigodos, nada de substancial tinha comido

Vamos lá brindar o estômago, chega de hostilidades!

 

Além do estômago, o corpo e a alma também haviam merecido

E depois do banho já dentro do carrinho

foi num ritmo até então desconhecido

que decidimos rumar ao Alto do Cavalinho

 

Não para o montar, nem para vê-lo

Alto do Cavalinho é o nome de uma casa e de um lugar

onde mora uma bifaninha vestida com Pão do Padronelo

que nos aparece, deitada no prato, prontinha a saborear

 

Depois de uma sobremesa com sabor a pudim

acabamos com o nosso amigo Verde Tinto

Este longo dia chegava ao fim

Estávamos satisfeitos, sabem que eu não minto.

 

Hoje os Bicigodos adormeceram

Amanhã o Sol voltará a nascer

Ainda assim nada comprometeram

Para nós o BTT é um desporto de lazer

 

Jerónimo, 17JUN06

A equipa dos bicigodos no Luso-Alpes: Mário, Matos, Ricardo e Jerónimo

Mais informações sobre o Luso-Alpes aqui

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DOWNTOWN LISBOA 2006

 

Olá colegas Bicigodos! No passado dia 13 de Maio realizou-se em Lisboa a  7ª edição do Lisboa Downtown. Na minha opinião é simplesmente o maior evento de BTT que se realiza no nosso país. Para contribuir aqui para o "nosso" site decidi partilhar convosco como foi um dia muito bem passado na companhia de uma multidão de malucos do BTT. 

A viagem para Lisboa começou bem cedo, de modo a chegarmos ainda a tempo de ver os treinos. As sessões de treinos são sempre a parte melhor da prova pois é a altura em que os downhillers fazem as manobras mais radicais, e como não está muita gente a assistir, podemos percorrer todo os pontos do percurso.

  

 Na foto podemos ver Greg Minnaar com os "prós" Assunção  e  Carlos Eduardo.

Estacionamos junto à parte final do percurso onde estavam instaladas as tendas das equipas, onde já andava uma pequena multidão à caça de autógrafos e de tirar umas fotos com os "prós" Steve Peat, Cedric Gracia, Greg Minnaar, entre outros. É sempre uma sensação especial estar perto destes grandes downhilers que só estamos habituados a ver nos vídeos e nas imagens das provas.

      

Depois de tirarmos algumas fotos, começamos a percorrer todo o percurso desde a chegada até ao início. De todas as partes destaco as escadinhas de Sta Luzia, que são vários lanços de escadas ladeadas por dois grandes muros com apenas 4 metros de largura! Agora imaginem o que é ter pessoal a assistir dos dois lados das barreiras, e os concorrentes só terem um metro e meio para voarem literalmente sobre as escadas no meio de centenas de malucos a vibrar! Só visto! A outra parte do percurso que destaco é o salto sobre o automóvel, em que podemos assistir a algumas manobras espectaculares dos melhores downhillers.

Durante a parte da tarde decorreu a prova, onde o cronómetro já conta, daí que haja menos espectáculo e as bikes andem mais juntinho ao chão para ganhar tempo. Estavam milhares de pessoas a assistir à prova, estava um ambiente mesmo fantástico. Tal como é costume, Steve Peat fez uma prova espectacular e conquistou o 1º lugar.

1ºClassificado: Steve Peat (GBR)

2ºClassificado: Cedric Gracia (FRA)

3ºClassificado: Sam Hill (AUS)

Melhor Português: Paulo Domingues (Amarelo): 15ºClassificado

Para verem tudo o que se passou em pormenor consultem o site oficial em: www.lisboadowntown.sapo.pt

Foi sem dúvida um dia fantástico para mais tarde recordar. Desafio todos os que gostam de BTT e de Downhill em particular para no proximo mês de Maio de 2007 assistirem ao Lisboa Downtown.

Um abraço e boas pedaladas.

Pedro Assunção

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Batata a murro.

Bicigodos presentes: Ricardo, Duarte e Jerónimo.

Objectivo: Conquistar Espanha via Pitões das Júnias.

Estávamos receosos de uma conquista turbulenta com verdadeiros inimigos espanhóis e foi logo no início que reais batalhas foram vividas, quando despontou um confronto entre três bicicletas e uma mégane, onde, vejam só, todas queriam entrar para o seu interior, mesmo sem se descalçarem. Mas depois, ao fim de uma ligeira conversação, lá tiraram as botas (rodas) e, amigavelmente, deitaram-se uma por cima da outra, não incomodando mais ao longo de toda a viagem, que durou apenas duas horas. A meio, fizemos um pequeno intervalo numa estação de serviço lá para os lados da Póvoa de Lanhoso, para saborear um café mal tirado por uma simpática ucraniana, que interrompeu por momentos a sua leitura da revista Maria, recheada de lascivas fotos eróticas de casais frustrados...

Pitões das Júnias respirava simpatia e, logo, fomos abordados por um homem velho que nos perguntou se conhecíamos a capelinha de S. João, cujo acesso constituía um óptimo passeio, por se encontrar no cume de uma montanha rochosa, que só a pé lá conseguiríamos chegar. "Hoje não, talvez para a próxima." Mas o senhor logo frisou que neste mês, no dia 24 de Junho, iria haver uma grande churrascada na festa de S. João e nós estávamos convidados.

Abalámos, já debaixo de um calor tórrido que seria um dos principais inimigos durante todo o dia. Ao longo de duas horas e meia rolámos sem grandes percalços, desfrutando de uma paisagem, agradavelmente diferente, da que estamos habituados, com prados imensos de margaridas, verde e mais verde onde, de quando em vez, surgiam manadas de puras vacas barrosãs, que amistosamente nos deixavam passar.

Tudo corria bem até ao momento em que avistámos um castelo nas terras de Montalegre. Desligámos os motores e entrámos silenciosamente em Montalegre, procurando logo refúgio na Adega do Fumeiro. Pensávamos que ali o inimigo não nos encontraria, mas infelizmente, ele já lá estava. Desconfiámos quando se aproximou de nós uma brasileira com um pires de presunto. Sem perder tempo, sacámos de armas e o confronto à mesa foi inevitável. Durou um bom par de horas, onde o inimigo surgia disfarçado, ora de omoleta, ora de alheira, ora de posta Barrosã, acompanhado pela temível batata a murro. O palco da batalha estava imensamente escorregadio com o maduro tinto da casa, o verdadeiro adversário deste modesto grupo de três soldados do BTT. Modesto, mas vitorioso, pois no fim da batalha, o inimigo tinha desaparecido, deixando-nos aberta a porta para Espanha. A mensagem passou depressa para o território espanhol e, com facilidade, ao longo de quatro horas passeámo-nos em Espanha, ouvindo apenas ligeiros e medrosos comentários, como: - São os temíveis Bicigodos! Deixem-nos passar se não querem ser deglutidos! Durante 70 km, os Bicigodos saíram de Portugal, conquistaram Espanha, e de regresso prometem estar atentos a novas batalhas. Aqui ou em qualquer parte do mundo! Tenham medo, tenham muito medo!

Jerónimo, 03JUN06

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Florêncio Flor Furou

Alto! Furo!

- Furaste Florêncio?

Florêncio, forçado, parou junto de uma forquilha ferrugenta e com furor gritou:

- F*d-se!

Florêncio, furriel feliz com um furo ficava furibundo. Preferia:

Ser mordido por um cão furioso;

Tropeçar, cair e resvalar para dentro de um furacão;

Perder-se na floresta;

Ser atropelado por um furgão;

Ser vítima de um furto;

Ter vocação para frade;

Ser a fusão entre uma fusela e um furúnculo.

Mas furar perto de uma figueira sem figos, Florêncio Flor fumegava! Fundindo os fusíveis ainda funcionais no seu pequeno cérebro foragido. Alto, Florêncio Flor furou!

Jerónimo 01JUN06

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Bicigodos - A marca do tempo.

Chegara recentemente à sua casa de campo. Vinha ali todos os Sábados para repousar e na Segunda-feira partia. Naquele Sábado, ao telefone, reparou que a erva do prado estava coberta de Margaridas. Enquanto falava, olhava além da porta, contemplando aquele enorme florescimento. Era a primeira vez que as Margaridas cobriam completamente o prado, escondendo o verde da erva sob tal brancura. Notou uma longa linha sem flores, uma linha irregular. Quando largou o telefone, saiu para contemplar o prado. Um medo de caminhar por cima das flores apoderara-se dele. Inquietava-o aquela linha escura e irregular sem flores. Acabou por caminhar sobre as flores, para ver de perto a razão do não crescimento de Margaridas, naquele ponto. A zona mais escura tinha a forma de uma longa cobra interminável, ao longo do prado. Perguntou, então, ao jardineiro como explicava que ali não tivesse florido. O jardineiro mexeu na erva para ter elementos que sugerissem uma resposta. Abanou a cabeça para mostrar que não se desvendava o porquê. Mais tarde, o jardineiro veio a recordar-se que precisamente naquela zona tinham passado os bicigodos, há já alguns anos.

Jerónimo 25MAI06

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Passeio em Valença

No passado dia 14JAN06 eu e o Mário resolvemos percorrer um rasto de gps que se encontra disponível na página dos Patus Bravus, (www.patusbravus.com), localizado na zona do monte de Faro em Valença, e que vinha classificado como um passeio imperdível.

Começamos esta aventura em S. Bento e, perante os dois percursos alternativos disponíveis, optámos pelo dos marcos geodésicos. Trata-se de uma longa e suave subida de 15 km que nos leva dos 100 aos 800 metros de altitude. Animados pela bonita paisagem e pelas excelentes condições meteorológicas que se faziam sentir, fomos subindo a bom ritmo. Lá em baixo um extenso manto nebuloso cobria todo o vale do rio Minho e fazia com que estivéssemos ainda mais contentes pelo dia solarengo que desfrutávamos cá em cima.

Pouco antes de atingirmos o ponto de maior atitude, encontramos uma senhora que, enquanto tratava do seu gado, inquietou-se com a nossa presença em tão recôndito lugar. -“Os meninos estão bem? Não têm medo de andar por esta serrania?”.

-“Medo? De que poderíamos ter medo, dos lobos?” respondi perguntando. “Haverá lobos por aqui?”

A senhora garantiu-me que os havia.

-“Já vi muitos!”

Apesar de incrédulo, o assunto interessava-me:

-“E eles não fogem quando nos vêem?”

-“Fogem se não tiverem fome!” respondeu a senhora, tentando desencorajar-nos da nossa audaciosa investida por aqueles montes perdidos.

Também falámos sobre o monte dos parapentistas ali perto e sobre um médico reformado, que resolveu retirar-se para aquelas paragens depois de uma vida na metrópole portuense.

Seguimos viagem e depois de visitarmos mais dois marcos geodésicos, resolvemos inspeccionar uma cache, (www.geocaching.com) que existe ali perto, denominada “the laying man”. Esta cache encontra-se num local muito agradável, que vale bem a pena visitar.

Depois de regressarmos ao trajecto original em direcção a Valença, encontrámos um pastor que guardava o seu rebanho de cabras, acompanhado de um pequeno cão rafeiro munido de um açaime. Mal nos avistou ao longe, o inofensivo canídeo aproximou-se e desatou a ladrar em nossa volta enquanto nos escoltava até junto do seu dono.

- “O cão morde?” Perguntou ironicamente o Mário.

O velho pastor não tardou em explicar:

- “Não é que ele morda. O açaime é por causa dos venenos para os lobos e para as raposas que andam por aí espalhados e que já me mataram dois cães.”

- “Outra vez os lobos...”, pensei.

O senhor explicou-nos que alguns caçadores temem a concorrência dos quase extintos carnívoros, pelo que lhes tratam da saúde.

- “Os senhores de onde vêm?” Perguntou enquanto se apoiava no seu cajado.

- “Somos de Santo Tirso, uma cidade perto do Porto.”

- “No Porto, eu já estive. E também já estive em Viana e em Ponte de Lima. Mas isso já foi há muitos anos…”

- “E o Senhor que deve conhecer bem estes sítios, o que lhe parece aquela pedreira ali ao fundo?”

- “Aquilo ali é para cortar o monte todo. E há mais duas aqui por debaixo destas nuvens. Quando fazem fogo parece que treme tudo e ouve-se o eco por toda esta serrania. E vendem tudo para o estrangeiro, até para Inglaterra! Eu às vezes até me pergunto, será que no estrangeiro não há pedra desta?”

- “É claro que há” respondi sem hesitar “Só que ela aqui é mais barata, porque paga menos impostos e porque ninguém se importa”.

- “Pois se assim é não deviam permitir que ela saísse de cá!”

Aconselhou-nos a visitar ali perto o convento de Santa Luzia onde se encontravam expostas umas gravuras famosas e também nos falou de uma capelinha que era o local de peregrinação de muitos Galegos, pois parece que em tempos por lá foi visto um Santo espanhol.

Infelizmente, nestes curtos dias de Janeiro, não é possível efectuar grandes reconhecimentos por caminhos não planeados, pelo que nos apressamos novamente em direcção a Valença… fica para a próxima.

Após uma descida técnica bastante inclinada sobre pedra húmida, entrámos numa vasta zona de pinhal plantado, e a partir daí foi sempre descer até Valença. Chegados a Valença dirigimo-nos ao interior das muralhas por onde deambulámos por entre ruas estreitas, apinhadas de turistas da Galiza em busca de “recuerdos”.

Junto de uma das muralhas, apontados para o rio, estavam uns maltratados canhões do exército de D. Maria, que parecem esquecidos pela autarquia local. Num deles o suporte de madeira tinha cedido às agruras do tempo e a pesada peça de bronze estava caída no chão numa poça de água. Que grande desleixo!

Estava na hora de regressar.

Eu tinha previamente verificado no “Google Earth” que o percurso original entre Valença e S. Bento era por estrada, pelo que optámos por efectuar um desvio e regressámos pelo Caminho de Santiago em sentido contrário, o que nos trouxe à lembrança outra grande aventura.

O caminho feito neste sentido é também conhecido pelo caminho de Fátima e está marcado por setas azuis.

Para finalizar resta-me reforçar que é mesmo um passeio imperdível. Os meus agradecimentos aos Patus Bravus pelo espírito de partilha que demostram. Até à próxima!

 

Ricardo 

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