7.º Aniversário Bicigótico - 07nov09 Bicigodos na Geira Romana, 6jun09 Regresso ao Corno de Bico, 23nov08 Passeio de São Martinho, 16nov08 Na Serra da Cabreira com Angarnas e Cagaréus, 25out08 6.º Aniversário + despedida de solteiro do Jorge Costa - 11OUT08 Na Graça da Senhora, Mondim de Basto, 23ago08 Quem terá aberto a cancela aos Becerros? - 10out08 A Noite Mais Louca do Ano! - 06jul08 A Ecovia do rio Lima - 08jun08 Passeio "Movimento Alternativo de Bicicletas" - 25Abr08 Venda-Nova, Pisões e Paradela - 10fev08 Senhora das Candeias - Landim, V.N. Famalicão - 02fev08 Passeio do 5.º Aniversário dos Bicigodos - 03nov07 Passeio na Serra da Freita - 27out07 À volta do monte Farinha - 11ago07 O Caminho Francês - Junho de 2007 Aventura em Quilho - Mortágua, 12Mai07 Pelos Trilhos da Maria da Fonte III - Póvoa de Lanhoso, 17MAR07 A Princesa do Rabagão, 13jan07 Passeio a Sernada do Vouga, 27dez06 De Chaves a Finisterra, 5-8out06 | |
Bicigodos na Geira Romana, 6jun09: - As fotos do Hélder; - O rasto do GPS. | |
Passeio do 5.º Aniversário dos Bicigodos - 03nov07
E eis que surge mais um aniversário. O quinto! O Jorge Costa foi o guia de serviço e levou-nos, mais uma vez, ao restaurante Escondidinho, onde fizemos a nossa festa. Desta vez, tivemos o privilégio de ter entre nós uma linda menina chamada Susana. Parabéns Bicigodos! Ligações: - O vídeo realizado pelo Jorge Monteiro. | |
O Caminho Francês - Junho de 2007
Para França partiu o Mário voando num grande avião. Já tinha partido o Jerónimo à boleia de um camião.
O Jerónimo partiu primeiro O Mário três dias depois. E já depois do meio encontraram-se no Caminho os dois.
Partiram de França com destino a Santiago Santo Tirso era o segundo destino E fizeram tudo de um trago
Chegados a Santiago Pedalaram de regresso O bom Bicigodo à casa volta trazendo sempre mais um sucesso!
Foram muitas as aventuras e boas as memórias para trás ficaram novos amigos e para contar, muitas histórias.
Texto: Ricardo Vídeo "Uma bicicleta completa" | |
| Pelos Trilhos da Maria da Fonte III Os Bicigodos estiveram presentes neste magnífico passeio que reuniu perto de mil ciclistas. Com uma excelente organização e um cenário a condizer, este evento é, cada vez mais, um marco incontornável para os entusiastas do BTT. Fotos aqui Página dos organizadores O relato do Jorge | |
Planeta das Bicicletas, 10 de Bicigósto de 2006 | |
A conquista do Buçaco - 09set06
A época 2006/2007 está oficialmente aberta Abra-se o champanhe, coma-se o croquete Este será um bom ano, pela certa
Tudo começou na Mealhada Numa singela maratona de 90 km Mais ou menos, meia dúzia de bicigodos à molhada Ajustaram as mochilas, acertaram os cronómetros.
Sendo este o primeiro, partimos com cautela Em direcção à Serra do Buçaco Ainda existia o medo de cair abaixo da cela ou de nos enfiarmos, de cabeça, num buraco.
Pois se de repente, mais ou menos, meia dúzia de bicigodos fossem deglutidos por uma enorme cratera o que seria do btt, do mundo, de todos... O universo do btt deixaria de ser quem era
E tudo por causa dos GPSsss Não havia meio de acertar Meia volta e lá estávamos aos sss Ai, ai!!! Que nos vamos esbarrar
Não nos esbarrámos, mas três desapareceram Lá para os lados... Depois do meio Desses três mais nada souberam os que restaram continuaram, mas já com muito receio
Que lhes terá acontecido? Será que com medo da Cruz Alta fugiram? Será que o Lobo Mau os teria comido? Ninguém soube, simplesmente sumiram...
Galgámos, então, serra acima Olhando sempre para trás Não fosse o Lobo Mau fazer de nós uma obra prima Aparecer de repente e zás...
Junto ao museu do Moinho de Vento, já do lado de Penacova Reabastecemos energias, com a melhor caipirinha do mundo Estávamos prontos para apanhar uma boa sova Venha lá o Lobo, enfiámo-lo no buraco mais fundo!
Meus amigos, a Serra do Buçaco está conquistada É verdade que pelo caminho perdemos elementos Mas o que é que isso interessa? Nada... O btt é mesmo assim, radical. Às famílias, os nossos sentimentos
Há quem faça desporto por uma vida saudável Há quem salte para o ginásio pela beleza corporal Para nós nada disso é palpável Praticamos btt por dependência, por vezes torna-se mortal
Morremos pelo prazer da infindável beleza da Natureza Vivemos com os pulmões encharcados de ar puro Morremos abraçados à nossa destreza Viveremos vendo saudavelmente o nosso futuro Jerónimo, 13set06 Participaram nesta aventura: Jerónimo, Jorge, Dino, Ricardo, Ricardo e Mário | |
| Fim-de-semana no Gerês, 8-9jul06 Porventura a aventura torna-se dura quando dura e dura e dura debaixo de um sol empolgante e entusiasmante que, ao ritmo de uma pedalada morna, por vezes fria, contrasta com o amarelo que sorrateiramente nos afunda, através de uma calçada dolorosa e trepidante provocando-nos saltos, tropeções, contactos com o solo imprevisíveis, ao longo de um desnível demasiado fundo que nos leva a uma subida intransponível, estreita e sinuosa, selvaticamente abandonada, onde a raiva do mato esquecido ao longo do tempo perfura silenciosamente as únicas câmaras de ar que nos sobram, multiplicando os furos, sem perdão nem piedade. Durariam até ao fim não fossem as bombadas constantes e rápidas que mantiveram as bicicletas de pé com os seus ciclistas cambaleando ora para cima, ora para baixo alimentados com restos de "bocadilhos" do dia anterior e "assandes" de pão congelado recheadas com chouriço de colorau esquecido algures numa prateleira de um café, também ele esquecido no interior de uma aldeia que a ninguém lembra. Embora as cervejas estivessem frescas como a água daquela represa que minimizou o custo de um dia sem preço, onde os Bicigodos mais uma vez demonstraram que as amarguras e contrariedades de lugares inacessíveis são ultrapassados com união e amizade que superam qualquer obstáculo, qualquer montanha, qualquer fim do mundo... Nós estivemos lá! Jerónimo, 13jul06 Estiveram presentes nesta aventura os Bicigodos Zé Pesseguinho, Sérgio, Mário, Ricardo, Duarte e Jerónimo. Nota: O passeio teve início no Campo do Gerês e teve como base um rasto de gps existente no Depósito de registos GPS para BTT, chamado Gerês-2. Na descrição do percurso é feita uma referência a uns caminhos inexplorados, que permitiriam uma ligação fora de estrada entre Paradela e Entre Ambos-os Rios. Além do relato, fica aqui também o rasto de gps de quem já tentou efectuar essa ligação. (Ricardo) | |
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Amarante foi o local de partida Luso-Alpes o nome do evento Vinte e cinco quilómetros tinha a primeira subida e o Ricardo esqueceu-se do sustento
Mesmo sem mantimentos suficientes À cautela lá partimos devagar Tínhamos medo de enregelar os dentes ou de alguma estrela, a 1400 m de altitude, nos cegar
Fomos tão devagarinho, tão devagarinho que decidimos levar a bicicleta à mão claro que não foi pela subida e o seu desnivelzinho mas queríamos chegar com forças para ver o Portugal - Irão
Tal era o compasso que acabamos por adormecer No sonho, Bicigodos com asas deambulavam entre as nuvens e o Marão sonhavam com o segundo nível, o terceiro seria um prazer. Sonhavam com uma alheira na cabana do Alvão
De mãos dadas cantarolavam junto das fontes Tinham todo o tempo do mundo Observavam os pássaros para lá dos montes Sentiam a Natureza no seu estado mais profundo
Mas todos os sonhos acarretam um pesadelo E do primeiro nível não passaríamos Café para observar o jogo, nem vê-lo! Tivemos aquilo que merecíamos?
Bem, o primeiro nível foi cumprido Com sessenta quilómetros de trilhos repletos de adversidades Este grupo de Bicigodos, nada de substancial tinha comido Vamos lá brindar o estômago, chega de hostilidades!
Além do estômago, o corpo e a alma também haviam merecido E depois do banho já dentro do carrinho foi num ritmo até então desconhecido que decidimos rumar ao Alto do Cavalinho
Não para o montar, nem para vê-lo Alto do Cavalinho é o nome de uma casa e de um lugar onde mora uma bifaninha vestida com Pão do Padronelo que nos aparece, deitada no prato, prontinha a saborear
Depois de uma sobremesa com sabor a pudim acabamos com o nosso amigo Verde Tinto Este longo dia chegava ao fim Estávamos satisfeitos, sabem que eu não minto.
Hoje os Bicigodos adormeceram Amanhã o Sol voltará a nascer Ainda assim nada comprometeram Para nós o BTT é um desporto de lazer
Jerónimo, 17JUN06 A equipa dos bicigodos no Luso-Alpes: Mário, Matos, Ricardo e Jerónimo Mais informações sobre o Luso-Alpes aqui | |
Olá colegas Bicigodos! No passado dia 13 de Maio realizou-se em Lisboa a 7ª edição do Lisboa Downtown. Na minha opinião é simplesmente o maior evento de BTT que se realiza no nosso país. Para contribuir aqui para o "nosso" site decidi partilhar convosco como foi um dia muito bem passado na companhia de uma multidão de malucos do BTT. A viagem para Lisboa começou bem cedo, de modo a chegarmos ainda a tempo de ver os treinos. As sessões de treinos são sempre a parte melhor da prova pois é a altura em que os downhillers fazem as manobras mais radicais, e como não está muita gente a assistir, podemos percorrer todo os pontos do percurso. | |
| Na foto podemos ver Greg Minnaar com os "prós" Assunção e Carlos Eduardo. | Estacionamos junto à parte final do percurso onde estavam instaladas as tendas das equipas, onde já andava uma pequena multidão à caça de autógrafos e de tirar umas fotos com os "prós" Steve Peat, Cedric Gracia, Greg Minnaar, entre outros. É sempre uma sensação especial estar perto destes grandes downhilers que só estamos habituados a ver nos vídeos e nas imagens das provas.
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Depois de tirarmos algumas fotos, começamos a percorrer todo o percurso desde a chegada até ao início. De todas as partes destaco as escadinhas de Sta Luzia, que são vários lanços de escadas ladeadas por dois grandes muros com apenas 4 metros de largura! Agora imaginem o que é ter pessoal a assistir dos dois lados das barreiras, e os concorrentes só terem um metro e meio para voarem literalmente sobre as escadas no meio de centenas de malucos a vibrar! Só visto! A outra parte do percurso que destaco é o salto sobre o automóvel, em que podemos assistir a algumas manobras espectaculares dos melhores downhillers. Durante a parte da tarde decorreu a prova, onde o cronómetro já conta, daí que haja menos espectáculo e as bikes andem mais juntinho ao chão para ganhar tempo. Estavam milhares de pessoas a assistir à prova, estava um ambiente mesmo fantástico. Tal como é costume, Steve Peat fez uma prova espectacular e conquistou o 1º lugar. 1ºClassificado: Steve Peat (GBR) 2ºClassificado: Cedric Gracia (FRA) 3ºClassificado: Sam Hill (AUS) Melhor Português: Paulo Domingues (Amarelo): 15ºClassificado Para verem tudo o que se passou em pormenor consultem o site oficial em: www.lisboadowntown.sapo.pt
Foi sem dúvida um dia fantástico para mais tarde recordar. Desafio todos os que gostam de BTT e de Downhill em particular para no proximo mês de Maio de 2007 assistirem ao Lisboa Downtown. Um abraço e boas pedaladas. Pedro Assunção
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| Batata a murro. Bicigodos presentes: Ricardo, Duarte e Jerónimo. Objectivo: Conquistar Espanha via Pitões das Júnias. Estávamos receosos de uma conquista turbulenta com verdadeiros inimigos espanhóis e foi logo no início que reais batalhas foram vividas, quando despontou um confronto entre três bicicletas e uma mégane, onde, vejam só, todas queriam entrar para o seu interior, mesmo sem se descalçarem. Mas depois, ao fim de uma ligeira conversação, lá tiraram as botas (rodas) e, amigavelmente, deitaram-se uma por cima da outra, não incomodando mais ao longo de toda a viagem, que durou apenas duas horas. A meio, fizemos um pequeno intervalo numa estação de serviço lá para os lados da Póvoa de Lanhoso, para saborear um café mal tirado por uma simpática ucraniana, que interrompeu por momentos a sua leitura da revista Maria, recheada de lascivas fotos eróticas de casais frustrados... Pitões das Júnias respirava simpatia e, logo, fomos abordados por um homem velho que nos perguntou se conhecíamos a capelinha de S. João, cujo acesso constituía um óptimo passeio, por se encontrar no cume de uma montanha rochosa, que só a pé lá conseguiríamos chegar. "Hoje não, talvez para a próxima." Mas o senhor logo frisou que neste mês, no dia 24 de Junho, iria haver uma grande churrascada na festa de S. João e nós estávamos convidados. Abalámos, já debaixo de um calor tórrido que seria um dos principais inimigos durante todo o dia. Ao longo de duas horas e meia rolámos sem grandes percalços, desfrutando de uma paisagem, agradavelmente diferente, da que estamos habituados, com prados imensos de margaridas, verde e mais verde onde, de quando em vez, surgiam manadas de puras vacas barrosãs, que amistosamente nos deixavam passar. Tudo corria bem até ao momento em que avistámos um castelo nas terras de Montalegre. Desligámos os motores e entrámos silenciosamente em Montalegre, procurando logo refúgio na Adega do Fumeiro. Pensávamos que ali o inimigo não nos encontraria, mas infelizmente, ele já lá estava. Desconfiámos quando se aproximou de nós uma brasileira com um pires de presunto. Sem perder tempo, sacámos de armas e o confronto à mesa foi inevitável. Durou um bom par de horas, onde o inimigo surgia disfarçado, ora de omoleta, ora de alheira, ora de posta Barrosã, acompanhado pela temível batata a murro. O palco da batalha estava imensamente escorregadio com o maduro tinto da casa, o verdadeiro adversário deste modesto grupo de três soldados do BTT. Modesto, mas vitorioso, pois no fim da batalha, o inimigo tinha desaparecido, deixando-nos aberta a porta para Espanha. A mensagem passou depressa para o território espanhol e, com facilidade, ao longo de quatro horas passeámo-nos em Espanha, ouvindo apenas ligeiros e medrosos comentários, como: - São os temíveis Bicigodos! Deixem-nos passar se não querem ser deglutidos! Durante 70 km, os Bicigodos saíram de Portugal, conquistaram Espanha, e de regresso prometem estar atentos a novas batalhas. Aqui ou em qualquer parte do mundo! Tenham medo, tenham muito medo! Jerónimo, 03JUN06 | |
| Florêncio Flor Furou Alto! Furo! - Furaste Florêncio? Florêncio, forçado, parou junto de uma forquilha ferrugenta e com furor gritou: - F*d-se! Florêncio, furriel feliz com um furo ficava furibundo. Preferia: Ser mordido por um cão furioso; Tropeçar, cair e resvalar para dentro de um furacão; Perder-se na floresta; Ser atropelado por um furgão; Ser vítima de um furto; Ter vocação para frade; Ser a fusão entre uma fusela e um furúnculo. Mas furar perto de uma figueira sem figos, Florêncio Flor fumegava! Fundindo os fusíveis ainda funcionais no seu pequeno cérebro foragido. Alto, Florêncio Flor furou! Jerónimo 01JUN06 | |
| Bicigodos - A marca do tempo. Chegara recentemente à sua casa de campo. Vinha ali todos os Sábados para repousar e na Segunda-feira partia. Naquele Sábado, ao telefone, reparou que a erva do prado estava coberta de Margaridas. Enquanto falava, olhava além da porta, contemplando aquele enorme florescimento. Era a primeira vez que as Margaridas cobriam completamente o prado, escondendo o verde da erva sob tal brancura. Notou uma longa linha sem flores, uma linha irregular. Quando largou o telefone, saiu para contemplar o prado. Um medo de caminhar por cima das flores apoderara-se dele. Inquietava-o aquela linha escura e irregular sem flores. Acabou por caminhar sobre as flores, para ver de perto a razão do não crescimento de Margaridas, naquele ponto. A zona mais escura tinha a forma de uma longa cobra interminável, ao longo do prado. Perguntou, então, ao jardineiro como explicava que ali não tivesse florido. O jardineiro mexeu na erva para ter elementos que sugerissem uma resposta. Abanou a cabeça para mostrar que não se desvendava o porquê. Mais tarde, o jardineiro veio a recordar-se que precisamente naquela zona tinham passado os bicigodos, há já alguns anos. Jerónimo 25MAI06 | |
No passado dia 14JAN06 eu e o Mário resolvemos percorrer um rasto de gps que se encontra disponível na página dos Patus Bravus, (www.patusbravus.com), localizado na zona do monte de Faro em Valença, e que vinha classificado como um passeio imperdível. Começamos esta aventura em S. Bento e, perante os dois percursos alternativos disponíveis, optámos pelo dos marcos geodésicos. Trata-se de uma longa e suave subida de 15 km que nos leva dos 100 aos 800 metros de altitude. Animados pela bonita paisagem e pelas excelentes condições meteorológicas que se faziam sentir, fomos subindo a bom ritmo. Lá em baixo um extenso manto nebuloso cobria todo o vale do rio Minho e fazia com que estivéssemos ainda mais contentes pelo dia solarengo que desfrutávamos cá em cima. Pouco antes de atingirmos o ponto de maior atitude, encontramos uma senhora que, enquanto tratava do seu gado, inquietou-se com a nossa presença em tão recôndito lugar. -“Os meninos estão bem? Não têm medo de andar por esta serrania?”. -“Medo? De que poderíamos ter medo, dos lobos?” respondi perguntando. “Haverá lobos por aqui?” A senhora garantiu-me que os havia. -“Já vi muitos!” Apesar de incrédulo, o assunto interessava-me: -“E eles não fogem quando nos vêem?” -“Fogem se não tiverem fome!” respondeu a senhora, tentando desencorajar-nos da nossa audaciosa investida por aqueles montes perdidos. Também falámos sobre o monte dos parapentistas ali perto e sobre um médico reformado, que resolveu retirar-se para aquelas paragens depois de uma vida na metrópole portuense. Seguimos viagem e depois de visitarmos mais dois marcos geodésicos, resolvemos inspeccionar uma cache, (www.geocaching.com) que existe ali perto, denominada “the laying man”. Esta cache encontra-se num local muito agradável, que vale bem a pena visitar. Depois de regressarmos ao trajecto original em direcção a Valença, encontrámos um pastor que guardava o seu rebanho de cabras, acompanhado de um pequeno cão rafeiro munido de um açaime. Mal nos avistou ao longe, o inofensivo canídeo aproximou-se e desatou a ladrar em nossa volta enquanto nos escoltava até junto do seu dono. - “O cão morde?” Perguntou ironicamente o Mário. O velho pastor não tardou em explicar: - “Não é que ele morda. O açaime é por causa dos venenos para os lobos e para as raposas que andam por aí espalhados e que já me mataram dois cães.” - “Outra vez os lobos...”, pensei. O senhor explicou-nos que alguns caçadores temem a concorrência dos quase extintos carnívoros, pelo que lhes tratam da saúde. - “Os senhores de onde vêm?” Perguntou enquanto se apoiava no seu cajado. - “Somos de Santo Tirso, uma cidade perto do Porto.” - “No Porto, eu já estive. E também já estive em Viana e em Ponte de Lima. Mas isso já foi há muitos anos…” - “E o Senhor que deve conhecer bem estes sítios, o que lhe parece aquela pedreira ali ao fundo?” - “Aquilo ali é para cortar o monte todo. E há mais duas aqui por debaixo destas nuvens. Quando fazem fogo parece que treme tudo e ouve-se o eco por toda esta serrania. E vendem tudo para o estrangeiro, até para Inglaterra! Eu às vezes até me pergunto, será que no estrangeiro não há pedra desta?” - “É claro que há” respondi sem hesitar “Só que ela aqui é mais barata, porque paga menos impostos e porque ninguém se importa”. - “Pois se assim é não deviam permitir que ela saísse de cá!” Aconselhou-nos a visitar ali perto o convento de Santa Luzia onde se encontravam expostas umas gravuras famosas e também nos falou de uma capelinha que era o local de peregrinação de muitos Galegos, pois parece que em tempos por lá foi visto um Santo espanhol. Infelizmente, nestes curtos dias de Janeiro, não é possível efectuar grandes reconhecimentos por caminhos não planeados, pelo que nos apressamos novamente em direcção a Valença… fica para a próxima. Após uma descida técnica bastante inclinada sobre pedra húmida, entrámos numa vasta zona de pinhal plantado, e a partir daí foi sempre descer até Valença. Chegados a Valença dirigimo-nos ao interior das muralhas por onde deambulámos por entre ruas estreitas, apinhadas de turistas da Galiza em busca de “recuerdos”. Junto de uma das muralhas, apontados para o rio, estavam uns maltratados canhões do exército de D. Maria, que parecem esquecidos pela autarquia local. Num deles o suporte de madeira tinha cedido às agruras do tempo e a pesada peça de bronze estava caída no chão numa poça de água. Que grande desleixo! Estava na hora de regressar. Eu tinha previamente verificado no “Google Earth” que o percurso original entre Valença e S. Bento era por estrada, pelo que optámos por efectuar um desvio e regressámos pelo Caminho de Santiago em sentido contrário, o que nos trouxe à lembrança outra grande aventura. O caminho feito neste sentido é também conhecido pelo caminho de Fátima e está marcado por setas azuis. Para finalizar resta-me reforçar que é mesmo um passeio imperdível. Os meus agradecimentos aos Patus Bravus pelo espírito de partilha que demostram. Até à próxima!
Ricardo | |
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